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Tópico: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

  1. #1
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    Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Eu estava caçando fóruns e blogs sobre Defacement, Cultura Hacker/Cracker, Scanners, enfim, assuntos relacionados ao tema.
    Procurei apenas por sites nacionais, fiquei depressivo.

    Uma coisa é fato, até existem sites bons por aí, mas são curiosamente pouco acessados, os sites ruins, infantis, que emanam floods hemorrágicos nos tópicos, são os que mais bombam, são, definitivamente, os que mais fazem sucesso, como se remar contra a maré da qualidade fosse a chave do sucesso.

    Um fórum/blog está longe de ser algo banal, pois profissionais gabaritados aprendem e ensinam muita coisa através dos posts, o fato da maioria dos fóruns conhecidos serem infantis e incultos, não seria um sinal de que os profissionais brasileiros, na área da segurança computacional, tem um nível fraco?

    Bom, não sou dessa área, porém leio bastante sobre o tema, pois gosto bastante, encaro mais como hobby, adoro passar horas, sempre que posso, lendo sobre segurança, deface, hacker/cracker, mas sinto um cheiro estranho no ar quando estou em um site "conhecido e manjado".

    Ganso.

  2. #2
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    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Citar Originalmente enviado por ganso Ver Post
    o fato da maioria dos fóruns conhecidos serem infantis e incultos, não seria um sinal de que os profissionais brasileiros, na área da segurança computacional, tem um nível fraco?
    Eu acho que pode ser também outras coisas. Por exemplo, um indício de que os bons profissionais da área, em geral não compartilham muitas informações. Colhem, sim, o número de acessos é alto aqui no ISTF pelo que percebo. Agora compartilhar, é outra história. Talvez por precaução, pois demonstrar o que você sabe (e as vezes o que NÃO sabe) num fórum público pode ser uma ótima brecha de segurança. Talvez por falta de interesse em compartilhar o que sabe mesmo. Enfim, isso não faz do cara um mal profissional, nem infantil. Pode ser só timidez ou falta de interesse em socializar/fazer networking. Ou por considerar outros "fóruns" mais relevantes para isso, como congressos e workshops. Enfim, é meio difícil tirar uma conclusão muito clara só disso sobre o nível dos profissionais da área. Agora, sobre os amadores, aí sim, tais certo. Tá cheio de criança brincando de raquer no país.
    "Then you will know the truth, and the truth will set you free"

  3. #3
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    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Eu voto na opção de que nossos profissionais são gostam de compartilhar e/ou se expor. Tem muita gente boa no mercado e opta por ficar caladinha. Normalmente os que falam demais são apedrejados, mesmo que estejam tentando ajudar com as melhores das intenções.

    E isso não está restrito aos foruns e sites. Listas de discussão seguem um caminho parecido, mesmo sendo um reduto da galera mais "antiga". As coisas se inflamam muito rapidamente por causa da briga de egos e conteúdo bom mesmo é coisa rara. Tipo coisa de fé: acredite que eu entendo do assunto, mesmo que não eu queira falar sobre isso.

    []s, MM

  4. #4

    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Eu mega vou falar de uma coisa, fiquei caladinho quase um ano.

    Ontem aconteceu um negócio que me fez deixar de ficar caladinho..

    É sobre Segurança mesmo. Eu sempre falo sobre TI, na maioria das vezes, quero falar de segurança.

    Estava eu com minha garota deixando a menina na porta de casa, quando fui abordado por dois jovens delinquentes, sendo um armado com uma pistola enferrujada. Após alguns minutos de pavor, acabei sendo "depenado" pelos micróbios, nada de grave aconteceu devido a uma grande sorte e uma calma das vítimas, maior que a dos meliantes, que aparentemente eram bichos ferozes com um ferro na mão mas não tinham a menor capacidade de controlar a situação.

    Sinceramente, acredito mais em Deus e em mim mesmo depois de ontem, no entanto, tendo sido prejudicado materialmente, financeiramente e na infraestrutura do meu trabalho (pois perdi ferramentas de trabalho q irão me custar tempo e dinheiro), parei para pensar o quanto nós não levamos em conta o DISASTER RECOVERY e as fatalidades, comuns no dia-a-dia, mas com um certo pensamento mágico, tanto profissionais como pessoas comuns acabam deixando de lado e acham que "ah, isso nunca vai acontecer!" é ou não é? pois acontece (rs).

    Já administrei grande parte dos prejuízos graças uma equipe unida, da parte profissional do incidente posso até dizer que tudo está quase O.K.

    Mas vim aqui e acabei me deparando com este tópico, e até por uma certa saudade do fórum, decidi relatar meu caso. Pq não fosse o que aprendi com os mestres que aqui residem, e dividem um pouquinho e não ficam caladinhos, talvez eu não tivesse sequer sobrevivido. Ao mesmo tempo, com o que aprendi inclusive aqui, poderia achar esses moleques. Mas tenho uma preguiça fenomenal de criar um Orkut por exemplo (hahahahah), e acima de tudo, uma ética, que aprendi pela minha educação e com certeza, com os mesmos Mestres que agora agradeço.

    Pra quem nunca me viu mais gordo, reitero que sou POETEIRO e faço PROGRAMA pra viver (Java, C, Perl, PHp rsrsrsr)
    e como homenagem, deixo estes pensamentos:

    Tecnologia da Informação não é Segurança. Segurança não é Justiça. Justiça não é vingança. Vingança não é ódio. Ódio não é bom. Bondade não é Simples. E tudo é tão simples assim.


    Obrigado, pessoal! Sucesso para todos, sempre! ;)
    ---
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  5. #5
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    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Citar Originalmente enviado por Guzpido Krush Ver Post
    Sinceramente, acredito mais em Deus e em mim mesmo depois de ontem
    Você foi roubado, vc sentiu medo, você correu risco de vida, cara, a casa caiu pra vc.
    Eu estou ficando louco, ou pela lógica você deveria, na verdade, parar de acreditar em deus?

    O cidadão precisa cobrar mais os políticos e a polícia, deixando de ser tão mistico.
    Pense nisso ;)

  6. #6

    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Encontre uma postura filosófica que não dependa da dialética entre a postura dogmática e a postura crítica, qual seja possível ser feliz e não amargurado ad infinitum, que eu páro de ser "místico". Dá um tempo, não dá pra ficar rompendo o tempo inteiro os paradigmas, às vezes vale muito criar ou manter algo, na boa, discordo de você Ganso.

    Se não compreende a atitude, que eu tentei pincelar, frente a situação de "a casa caiu",
    levanta sacode a poeira e dá volta por cima.

    E outra, não falamos aqui de segurança? Não seria bom se a segurança dependesse mais das nossas atitudes cotidianas e menos da repressão da polícia, da corrupção dos políticos, enfim, daqui a pouco chegaremos a mais pura definição de "bandido", ao meu ver, mantendo a linha de falar dos políticos.

    Tô errado ainda?
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  7. #7
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    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Citar Originalmente enviado por Guzpido Krush Ver Post
    Tô errado ainda?
    Está.

    Pelo menos você respondeu com estilo ;)

    Abraço!

  8. #8

    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    ESTILO? agora te obrigo a sentir o BRILHO

    muy fácil criticar DEUS em pleno século XXI
    já parou pra pensar que tua forma de criticá-Lo
    se rompe ao romper com a noção de PROGRESSO + uma espécie de patriarcalismo

    se achou aquilo lá ESTILO pense nisso que se segue.

    Aluno: Gustavo Loureiro Conte
    São Paulo, 15 de dezembro de 2008

    Vã miragem: considerações acerca do progresso técnico-científico e sua relação com o bem-estar geral da Humanidade

    Nossa civilização, o trabalho de vinte séculos, é sua lei e seu prodígio; vale o esforço de salvá-la. Ela será salva (...) sua iluminação ainda é outra questão. Todo o trabalho das filosofias sociais modernas deve convergir para este ponto. O pensador de hoje tem uma grande tarefa – auscultar a civilização.” (Victor Hugo, “Les Misérables”, Livro I, Cap VII)

    Muitas vezes notamos referência a noção de progresso atrelada ao processo histórico da Revolução Industrial. O que é progresso? Um desenvolvimento científico ou moral? O desenvolvimento tecnológico arrasta consigo o desenvolvimento moral? Ou o “progresso” científico foi mais rápido que o “progresso” moral? Pode o desenvolvimento técnico, prejudicar a moralidade individual e coletiva?
    O triunfo desta concepção, a “idéia de progresso” tal qual nossa sociedade concebe, praticamente nem se manifestou até o século XVI. Seu triunfo se dá com o processo resultante dos capítulos finais da Revolução Francesa e influencia nossa própria concepção da História até os dias de hoje. Enquanto que os gregos nem tinham uma palavra correspondente para progresso, em latim progressus significa meramente “avançar”, num sentido espacial: “A carroça progrediu para o Norte.”.
    Eric Hobsbawn escreveu em 1977: “As palavras são testemunhas que muitas vezes falam mais alto que os documentos”. Algumas palavras surgem devido a certas condições históricas. Outras mudam de significado. Progresso e Revolução pertencem a este segundo grupo.

    Ao acompanharmos os fios traçados pelas transformações a que certas idéias foram sujeitas, é possível traçar repercurssões históricas interessantes para a discussão da questão do bem-estar da humanidade, pois oprimidos aparecem ao longo da História lutando pela sua “felicidade”, sendo que:
    “Entre as idéias de revolta e progresso há relações evidentes antes mesmo da noção universalista de revolução se encontrar de forma mais evidente com a de progresso (...) a idéia explícita de progresso desenvolve-se entre o nascimento da imprensa no século XV e a Revolução Francesa.” (LE GOFF, 1977)

    A idéia de progresso implica a noção de uma meta que pressupõe uma espécie de objetivo a ser alcançado. Pensadores traçaram através da sociologia até mesmo rumos para a história da sociedade em função desta concepção de progresso. Já que tal finalidade se configura procedendo de um juízo de valor formado por um sujeito histórico, torna-se deveras necessário distinguir os arqueiros com suas flechas chamadas Progresso.
    As invenções, como a imprensa, a pólvora ou a bússola, favorecem muito esta idelogia de progresso. Com o nascimento da ciência moderna – o sistema copernicano, os Discorsi de Galileu Galilei, o cartesianismo e o sistema newtoniano, etc. -- cresce a confiança no racionalismo, que crê que leis possam governar tanto o mundo da física, quanto a sociedade e a moral. No fim do século XVII, pensadores começam a se esforçar para conciliar a fé cristã com o racionalismo cartesiano. A noção de progresso chega ao centro do debate filosófico e artístico, permanecendo em foco durante todo o século XVIII. O tema do “progresso indefinido” chega aos cafés e salões, espaços onde as questões são discutidas com compromisso digno de filósofos das luzes. Distinguiam-se dos outros cientistas por sentir uma responsabilidade missionária quanto ao triunfo desta concepção. Mais do que ingleses, franceses, italianos, etc., estes homens pertenciam a uma espécie de “República”, dedicados a emancipação de toda a Humanidade. A “idéia de progresso” se torna universalista.

    Adam Smith atribui à solidariedade econômica e à liberdade de comércio um gradual progresso econômico. Kant, otimista, vê o progresso geral subordinado ao progresso moral. Esta noção é então deificada durante a Revolução Francesa. Condorcet enuncia que o progresso no conhecimento causa o progresso social, iluminando tanto passado quanto futuro, gerando igualdade e liberdade. Expressos nas figuras da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, podemos ilustrar o triunfo político e ideológico da idéia de progresso.

    Jacques Le Goff atenta que a ideologia do progresso se acelera nos casos em que há um salto técnico-científico, como de fato se constata ao longo da modernidade. A experiência do progresso material faz com que nele se acredite, sendo que quando esta experiência entra em estagnação, surge uma crise da “idéia de progresso”. A aceleração do progresso material também pode resultar em um medo do mesmo, quando por exemplo a indigência predomina em certos distritos, se torna evidentemente contraditório o efeito benéfico do progresso material em comparação com a qualidade de vida da maior parcela da população. É o tal abismo entre o cientista anão-inventivo e a população:

    “Com o tempo, é possível que vocês descubram tudo o que haja por descobrir, e ainda assim o seu avanço há de ser apenas um avanço para longe da humanidade. O precipício entre vocês e a humanidade pode crescer tanto, que ao grito alegre de quem descobriu alguma coisa nova, responda um grito universal de horror.”
    ( Bertolt Brecht, “A Vida de Galileu Galilei” )

    Edmund Burke considerava a Revolução uma aberração antinatural; também acreditava num progresso, mas um progresso moral ligado à Providência Divina, aos privilégios do passado. Inspiraria as ideologias reacionárias do fim do século XIX. Le Goff também alerta que há esforços de conciliação entre catolicismo e progresso: Ballanche (1776-1847), arauto da Restauração, elogia a indústria como “poder recentíssimo dos tempos modernos, criada pela middle-class, tornada pouco a pouco a própria sociedade”.

    Com a continuidade do desenvolvimento técnico e científico e os sucessos da Revolução Industrial, as instituições do século XIX difundem amplamente esta noção. Neste momento o que se buscaria eram meios de regular este progresso, ocupando a mente de pensadores burgueses e germinando o socialismo. Robert Owen quer: “um só sistema científico em todos os seus ramos para a produção, a conservação, distribuição e consumo das riquezas (...) para cada um e para todos; para bem formar o caráter físico, intelectual, moral e prático (...), de forma a efetuar um progresso contínuo no aperfeiçoamento de todas as disposições sociais (...) e no desfrutar de uma felicidade crescente e inalterável.”.

    O objetivo do progresso, além de atingir os planos intelectuais e morais, deveria ser a felicidade da humanidade. Será o utópico Saint-Simon (1760-1825) que recusará qualquer nostalgia do retorno ao passado: a idade de Ouro da humanidade não estava mais no passado longínquo, mas num futuro posterior; conclama industriais, “os motores do progresso”, a serem postos na cabeça do Governo. Os elitistas Auguste Comte e Ernest Renan afirmam que a democracia não é pressuposto para o cumprir destes objetivos; seriam os “grandes homens e a Ciência” os responsáveis por esta façanha.
    Apenas na década de 1830 que artes e literatura começam a abordar um mundo no qual todos os laços sociais se desintegravam exceto os laços entre os metais preciosos e o papel-moeda. Trata-se do retrato da ascensão da sociedade capitalista. A grande corrente da produção cultural acerca dos efeitos nocivos da revolução industrial começaria a fluir a partir da década de 40. A Revolução Industrial surge antes do processo político francês que culminaria na própria Revolução Francesa, e sem compreendê-la não faz sentido o turbilhão sobre o qual nasceram os homens e acontecimentos mais importantes destas décadas, muito menos a complexidade desigual de seu ritmo frenético.

    O que importa é que a Revolução Industrial representa um rompimento dos grilhões da capacidade produtiva da sociedade, que a certa altura de 1780, atinge um ritmo de multiplicação rápida, regular e até o presente, ilimitada quanto a mercadorias e serviços. Não se trata de um fenômeno como um tsunami que assalta o mundo de surpresa, pois é consenso que em torno da década de oitenta do século dezoito todos os índices estatísticos apontam para uma guinada brusca e quase vertical da capacidade produtiva. Também é consenso que este processo ainda não chegou ao fim, uma vez que é evidente o comprometimento dos recursos naturais globais nas décadas atuais devido a esta mesma concepção frenética de produção.

    E de fato a industrialização alterará a vida de todos no século XIX, quer estes se relacionem diretamente com as fábricas ou não. Pois mesmo nas áreas européias onde a mudança ocorria mais lentamente, competidores estrangeiros forçariam artesãos a capitular seus esforços comerciais. A primeira destas mudanças é nítida e arrasadora em todo o comércio têxtil. Basicamente, quando mercadores percebem quanto é mais lucrativo comprar das fábricas que desafiam o mais hábil artesão com um preço absolutamente menor, literalmente anuncia-se a morte da economia artesanal familiar. Isto altera a cultura das pessoas que antes trabalhavam em família. Muitos em áreas rurais passam a ser trabalhadores migrantes, principalmente para a construção destas indústrias, ferrovias, canais, edifícios, etc., periodicamente abandonando seu núcleo familiar para trabalhar por um salário. Para alguns o progresso técnico neste caso prejudicaria a moralidade individual e coletiva.

    A maioria do dinheiro de um trabalhador acabava sendo necessário para comprar comida, e uma diminuição dos salários significava a fome. Com o aumento do custo dos meios de produção e a diminuição da habilidade necessária para executar um determinado ofício, as distinções entre donos e empregados se tornavam muito mais demarcadas, as posições bem mais diferenciadas e as relações, claramente antagônicas. Karl Marx demonstraria que a acumulação de riqueza abstrata é, por definição, um processo sem limites. Em “O Capital” (1867), o que corresponderia a “progresso” é posto como “um longo e doloroso desenvolvimento”. A vida social se fundamenta na produção material, e apenas através da criação de um conjunto de condições materiais de existência, que homens livremente associados agiriam conscientemente segundo seu próprio plano.

    Fernand Braudel constata, entre os séculos XV-XVI, um considerável desenvolvimento urbano, devido basicamente a diminuição da mortalidade com o abrandamento das doenças e da fome. “Portos dinâmicos aqueciam as trocas comerciais favorecendo a acumulação de capital, gerando riquezas consideráveis. Aliada, entretanto, a transformações agrárias que, em grande parte da Europa, diminuíram e fracionaram as posses camponesas de terra, a pujança do capitalismo comercial fez-se acompanhar de um custo social altíssimo. Junto com a riqueza moderna, capitalista, surge também a pobreza moderna e capitalista.” (MELLO E SOUZA 1993). Devido ao custo social do “progresso”, pode-se afirmar que isto é um forte indício de que tal processo não trouxe consigo desenvolvimento moral, sendo que para alguns muito pelo contrário este processo teria agravado o cenário.

    Trata-se de uma vã miragem a noção de um progresso contínuo uma vez que “O tempo da História é o kairós em que a iniciativa do homem colhe a oportunidade favorável e decide no átimo a própria liberdade. (...) É este tempo experimentado nas revoluções autênticas, as quais, como recorda Walter Benjamin, sempre foram vividas como uma suspensão do tempo e como uma interrupção da cronologia.” (AGAMBEN, 2005)

    Como lembra Jean Tulard, o principal legado da Revolução Francesa foi a Declaração dos Direitos do Homem. Heródoto de Halicarnasso escreveu sua obra “para que o Tempo não apague os feitos dos Homens.”. O tempo tem este caráter destrutivo; de nada vale os feitos dos antepassados se não nos responsabilizarmos enquanto sujeitos do agora. Afinal não se pode enfim pedir para a Assembléia de 1789 que faça nada acerca de um dever contemporâneo. Isto seria a vã miragem de um progresso contínuo. Uma condição para que homens livremente associados ajam conscientemente segundo seu próprio plano, é justamente a compreensão do mundo que os cerca. A ciência negocia este saber para quem está disposto a investigá-lo, uma vez satisfeita também a condição material de existência. Giorgio Agamben afirma que “verdadeiro materialista histórico não é aquele que segue ao longo do tempo linear e infinito uma vã miragem de progresso contínuo, mas aquele que, a cada instante, é capaz de parar o tempo.”. De fato as revoluções autênticas permitem que os sujeitos históricos protagonizem uma experiência de tempo distinta, a ponto de calendários serem alterados completamente como ocorreu durante a Revolução Francesa.

    Mas até que ponto as revoluções trazem consigo uma emancipação dos grilhões da alienação, e até a que ponto o sujeito histórico não é compelido a alienar-se mais ainda em prol da revolução? Como George Orwell retrata através do personagem do cavalo em “A Revolução dos Bichos”, cuja fala mediante a crise é “Trabalharei mais!”.

    Acerca da questão de parar o tempo, um ótimo exemplo desta façanha foi em 1524 quando Lutero contribuiu para a revolta dos camponeses, ao enfrentar as autoridades que o obrigavam a se retratar. Tratavam-se de 300 mil pessoas em armas contra seus senhores -- 1/3 da Alemanha no caso: "Se eu não estiver convencido de erro pelo testemunho das Escrituras ou pela razão clara não posso retratar-me nem me retratarei de coisa alguma, pois não é seguro nem honesto agir contra a própria consciência. Deus me ajude. Amém". (Lutero, perante Carlos V, Santo Imperador Romano).

    “Os camponeses viam em Lutero o seu defensor contra a opressão feudal dos senhores e do clero das cidades. Em seus escritos e sermões, apesar de ser um conservador em política e de defender que o bom cristão deveria ser obediente, ele muitas vezes atacava a ambição dos principes e lamentava a sorte dos pobres.” ( ARCHISTORIA, 2008 )

    Vimos que o progresso é uma idéia-motor para a construção de uma miríade de ideologias para fins políticos e portanto também pode ser encontrada em manifestações culturais ao longo da História, seja em Marselhesas, seja na mídia atual. Vimos que a relação entre progresso e bem-estar social pode ser elucidada ao traçarmos o desenvolvimento desta idéia ao longo da História Moderna em função das aspirações de diversos pensadores. Por fim, a idéia de progresso é falaciosa pois pressupõe uma continuidade linear em todos os processos históricos. Desta forma tentou-se buscar bases contra o anacronismo e o Positivismo, e indicar que o progresso cientifico serve aos interesses de um grupo politico residente no poder, não se estendendo ao restante da Humanidade, mas servindo-se deste exército de miseráveis para sustentar seus saltos tecnológicos.

    Bibliografia

    Fontes históricas:
    HUGO, Victor - “Les Misérables” - “The Works of Victor Hugo translated by Isabel F. Hapgood”
    edição digitalizada, disponível através do Projeto Gutemberg
    http://www.gutenberg.org/etext/135

    Bibliografia de referência:
    AGAMBEN, Giorgio - “Infância e História: Destruição da experiência e origem da História”(pág. 111-128), (trad.) Ed.UFMG, 2005
    ARCHISTORIA – Revista eletrônica: http://archistoriatextos.blogspot.com (19 de fevereiro de 2007)
    BRAUDEL, Fernand - “Civilização Material, Economia e Capitalismo – séc XV-XVIII, Vol I” (pag. 61-65), (trad.) Martins Fontes, 1997
    HOBSBAWN, Eric - “Sobre História”, (trad) Cia.dasLetras, 2001
    HOBSBAWN, Eric - “A Era das Revoluções”, (trad) Paz e Terra, 2005
    LE GOFF, Jacques - “História e Memória” (pág.235-276),(trad) Unicamp, 2005
    MAGRAW, Roger - “The Age of Artisan Revolution, 1815-1871.” Blackwell Publishers, 1992
    MELLO E SOUZA, Laura - “Notas sobre as revoltas e as revoluções da Europa Moderna”, Revista de História #135, FFLCH-USP, 1996

    http://www.sansakroma.com.br/
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  9. #9
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    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    Citar Originalmente enviado por Guzpido Krush Ver Post
    muy fácil criticar DEUS em pleno século XXI
    já parou pra pensar que tua forma de criticá-Lo
    se rompe ao romper com a noção de PROGRESSO + uma espécie de patriarcalismo
    Deus está oficialmente convidado para se "defender" das criticas. (basta registrar-se gratuitamente para postar, a mensagem será previamente moderada, certificando-se que não há conteúdo impróprio)
    Estou ansiosamente aguardando o post do "sabe tudo".

    E, há, não venha me dizer que estou louco, não suponha que estou sendo piadista, quem acredita nele aqui é VOCÊ.

    Té mais.

  10. #10

    Re: Qualidade dos fóruns e blogs brasileiros

    caraca ganso, como vc mudou!

    vc está mais cego que o crente mais cego da terra dos cegos!

    nem leu a monografia, nem um pedacinho, que tal ler ?
    além de pré-julgar está ENGANADO, pois nao to falando de nada disso que vc disse na resposta.

    preguiça é pior que incompetência, sinceramente.
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