Militares a vestiários de atletas, qualquer equipe usa a mesma estratégia: conheça seu inimigo. Preveja seus movimentos. Faça o que eles acham que você não fará. Diante do seu principal oponente – os hackers – os gerentes de TI devem adotar a mesma abordagem.
Anos de experiência ensinaram generais e treinadores a enganar seus adversários, mas, em uma indústria relativamente nova, de que maneira um gerente de TI pode começar a compreender, prever e evitar os ataques de um hacker?
1 . Conheça o processo: como você se atacaria?
Se coloque na posição de alvo. O que você tem que vale a pena ser roubado? Obviamente, um fabricante de equipamentos de defesa militar é um alvo muito mais desejado do que uma loja virtual de sapatos, mas nem tudo é dinheiro. Qualquer coisa que possa ser monetizada, de números de cartão de crédito até listas de clientes, é uma commodity de valor para um hacker.
A propriedade intelectual é outro grande alvo. Pense em suas metas de vendas ou nos planos de marketing para 2012 e em quanto a concorrência pagaria por esses documentos confidenciais. Dados de pesquisa? Ideias de desenvolvimento de produtos novos? Resultados financeiros? Aplicações para um patente? A lista é interminável e todos esses itens têm algum valor para alguém, em algum lugar.
O outro aspecto de “conhecer o processo” é conhecer o inimigo. Quais são suas preferências? Quais técnicas eles já usaram? Assim como o treinador de um time estuda as estratégias do adversário durante seus últimos jogos, um gerente de TI deve saber como os hackers se preparam, quais recursos têm ao seu dispor e, mais importante, as últimas tendências. Sabe-se que a “superfície de ataque” – a variedade de possíveis pontos de entrada em redes corporativas – cresceu bastante, e isso aumenta com a compra de cada smartphone, tablet e laptop. Além disso, em anos passados um malware sofisticado demorava anos antes de chegar ao mercado negro comum. Agora, é um processo de apenas algumas semanas. Por cerca de US$ 25, você pode comprar kits instantâneos e verificados para driblar as defesas tradicionais. É claro que as empresas precisam se armar com soluções de segurança de última geração para evitar que seus dados caiam nas mãos erradas.
2. Conheça seus pontos fracos: tecnologia, pessoas e cultura
É uma tarefa fácil descobrir seus pontos fracos: eles sempre estão perto do Caminho da Menor Resistência, ou seja, a via de acesso escolhido pelo hacker é a de menor custo, menor risco, ou menor tempo.
Os sistemas atuais estão localizados em diversos locais e são acessados por milhares de pessoas através de uma variedade inacreditável de dispositivos. Se a Internet é um ponto fraco, a próxima pergunta é qual o nível de integração dos seus sistemas? Uma vez ‘dentro’, uma pessoa pode passear livremente por seus bancos de dados, e você monitora, registra e verifica os dados manuseados?
A Wi-fi pública deve ser considerada outro ponto fraco quando o funcionário usa seu tablet ou smartphone em uma cafeteria ou quarto de hotel. Em um ambiente relaxado, possivelmente fora do horário de expediente, será que as pessoas ainda se preocupam com a segurança? Será que os toques do teclado e as senhas podem ser interceptados ou, mais simples ainda, vistos da mesa ao lado?
Mesmo depois de muitos anos ensinando noções de informática aos funcionários e fornecedores, as pessoas sempre serão um elo fraco em qualquer sistema. Elas levam materiais para casa, esquecem pendrives no trem, deixam suas telas ativas para qualquer pessoa ver, conversam sobre assuntos confidenciais em redes sociais e são vulneráveis à coerção, ganância… e economizam com a verdade.
A mudança da cultura social é uma fraqueza relativamente recente que merece a atenção do gerente de TI. Com o volume crescente de e-mails, redes sociais e dispositivos pessoais portáteis, o número de pessoas que comunicam, compartilham informações e organizam suas vidas disparou, e a divisa entre a vida pessoal e profissional é cada vez menos nítida. As identidades em redes sociais pode ser mais valiosa para o hacker do que seus cartões de crédito. Qualquer rede social é baseada em confiança, e se alguém com más intenções rouba seu login, existe uma grande chance dele manipular seus amigos. O primeiro método de ataque combinado adotado na maioria dos ataques avançados será de tentar atingir o alvo através dos seus “amigos” em redes sociais, dispositivos móveis e da nuvem.
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