Segurança da informação é uma preocupação constante e crescente nas empresas. Uma falha pode trazer não só as perdas imediatas e mensuráveis advindas do tempo de um servidor parado e do esforço da equipe de TI para sanar o problema, há também os prejuízos a longo prazo do impacto sobre a marca, mais difíceis de medir.

A consultoria IDC Brasil prevê que somente o segmento de soluções de segurança da informação, abrangendo hardware, software e serviços, deverá superar os 850 milhões de dólares no País no final desta década. Manter um ambiente que assegure a continuidade dos negócios, entretanto, implica em acertar a escolha da melhor solução, lidar com a contenção de gastos, com problemas de compatibilidade e de adequação às normas de segurança, entre outros.

Para tratar destas importantes questões que afligem os gestores de TI, a consultoria realiza hoje a IDC Brasil IT Security & Business Continuity Conference 2006, na Amcham, em São Paulo, que conta com a participação dos especialistas internacionais da IDC Corp.

Fabio Costa, presidente da IDC Brasil, concedeu uma entrevista à B2B Magazine durante o evento. O executivo falou sobre as novas ameaças, o impacto das fraudes e o papel da segurança nas empresas.

B2B Magazine: O que podemos esperar para os próximos anos em termos de novas ameaças à segurança
Fabio Costa: O que vem pela frente vai depender muito de como vai evoluir a tecnologia, em especial a tecnologia de comunicação. Nós provavelmente ainda teremos várias experiência, em especial no mundo wireless. Hoje, boa parte dessas ameaças vem pelos meios conhecidos, como a Internet. Conforme nós tenhamos uma disseminação de serviços de dados e de aplicações wireless, com esses serviços sendo pagos, e não pré-pagos como é a situação atual do País, provavelmente teremos um potencial para novas oportunidades de vírus. Obviamente, as empresas de telecomunicações e prestadoras de TI especializadas em segurança já estão se preparando para evitar esse tipo de problema. No entanto, a expectativa é que, assim como no mundo wired acontece esse tipo de problemas, eles venham a acontecer também nessa nova onda de mobilidade.

B2B: Fala-se muito do Brasil como berço global de hackers. Essa visão corresponde à realidade?
FC: O brasileiro é reconhecido internacionalmente pela sua criatividade e pela qualidade de seu trabalho como engenheiro de software. Daí deriva também a nossa capacidade para a geração de softwares invasores, de hackers e assim por diante. O que nós sabemos é que boa parte das questões vinculadas a fraudes não são oficialmente divulgadas pelas empresas. Os números oficiais não representam, portanto, a totalidade dos problemas enfrentados pelas empresas com fraudes e com hackers.


B2B: O que dizer sobre a fraudes bancárias, que causam tantos prejuízos a bancos e clientes?
FC: O segmento financeiro é um dos mais eficientes no Brasil do ponto de vista econômico, e depende fundamentalmente da tecnologia da informação para seu negócio. É um dos poucos segmentos que tem um casamento muito forte com a tecnologia. Em função disso, da mesma forma como o segmento cresce e investe mais em TI, ele se torna mais atraente para esse tipo de fraude. A expectativa é de que os bancos invistam cada vez mais na solução desse tipo de problema, uma vez que boa parte dos prejuízos não fica com o correntista, mas com o próprio banco. O que vamos acompanhar é a escalada desse tipo de problema em termos de eficiência, ou seja, o quanto o banco consegue acelerar sua eficiência na coibição desse tipo de problema quando comparado com a capacidade dos hackers de criar novas alternativas para esse tipo de fraude.

B2B: A segurança é hoje uma grande prioridade das empresas?
FC: Em função de análises feitas ao longo de 2005, constatamos que a prioridade para o segmento corporativo em 2006 será o ERP, seguida imediatamente por Segurança. Já no mercado de pequenas e médias empresas, as prioridades se invertem: Segurança em primeiro e ERP em segundo. Isso acontece porque o mercado PME está começando a fazer agora os investimentos necessários em segurança, os quais já foram feitos pelas grandes empresas em alguns anos.

Fonte: http://www.b2bmagazine.com.br/ler_ma...x?numero=15574