Washington - A uma semana de votação, argumentos entre provedores e grupos de liberdades na web, apoiados por Berners-Lee, se acirram.
Advogados de ambos os lados do debate no Congresso dos Estados Unidos pela neutralidade da internet intensificaram suas pressões no final desta semana, mesmo com um comitê do Senado atuando atrasado na questão.
O Comitê de Comércio, Ciência e Transportes do Senado, programado para discutir emendas à lei de banda larga que já conta com mais de 150 páginas, se encontrou por cerca de duas horas antes do cancelamento da reunião para permitir que senadores votem em outras legislações.
O comitê discutiu 10 entre mais de 210 emendas propostas para a lei antes que o presidente do comitê, Ted Stevens, senador republicano pelo Alasca, reprogramasse a audiência para a próxima terça-feira (27/06).
O atraso permite que companhias de tecnologia e grupos de consumo, que pressionam o Congresso pela proibição do bloqueio de conteúdo por provedores, continuem seus esforços para assegurar a neutralidade da internet em questões integradas à lei.
O comitê na quinta-feira (23/06) não deu qualquer provisão sobre o documento, que forçaria a Comissão Federal de Comunicações (FCC) a criar um plano de tecnologia para proteger arquivos de áudio e vídeo.
Companhias de entretenimento vêm pressionando o comitê por regras de transmissão, dizendo que o Congresso deveria proteger seus direitos autorais. Mas alguns consumidores e grupos de tecnologia protestaram pela provisão, dizendo que a ação restringiria reproduções domésticas de arquivos de áudio e vídeo.
O debate sobre a lei, no entanto, se concentra na neutralidade. A versão mais recente da legislação, apoiada por Stevens, permitiria que clientes de banda larga rodassem aplicações de internet de sua própria escolha, o que não proibiria os provedores de web de oferecerem seus serviços preferencialmente em relação aos competidores. Uma versão anterior da lei exigia que a o FCC fizesse relatórios anuais para o Congresso sobre o fluxo livre das informações na internet.
Uma lei aprovada pela instituição neste mês permite que o FCC investigue reclamações sobre bloqueio de conteúdo após o fato. Tanto as leis do Congresso como as do Senado imporiam restrições de marketing para companhias de telecomunicações para que serviços de televisão pela internet (IPTV) não concorresse com a TV a cabo.
Provedores de internet, como a AT&T, disseram que não têm planos de bloquear conteúdo online de competidores, mas querem explorar planos de negócios que permitam a cobrança de novas taxas para dar ao conteúdo online direcionamento prioritário pela web.
Apoiadores da neutralidade da web protestaram que tais planos criariam uma rede de dois pontos, com conteúdo de provedores de internet e de seus parceiros trafegando em uma pista rápida e todos os outros em uma pista lenta.
Nesta semana, Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, gravou um vídeo dentro do seu blog apoiando a lei de neutralidade da internet. "Quando eu inventei a web, não tinha que pedir a permissão de ninguém", escreveu Berners-Lee no seu blog. "Agora, centenas de milhões de pessoas estão a usando gratuitamente. Estou preocupado que este será o fim nos Estados Unidos".
Enquanto isto, a AT&T e outros provedores de banda larga continuaram a pressionar o Congresso para permitir o controle de seus sinais de internet sem a regulação do governo. A AT&T rejeitou a proposta feita por grupos de liberdades civis no Centro de Democracia e Tecnologia, que permitiria que provedores de banda larga oferecessem serviços especiais em redes privativas separadas da web, mas faria com que as empresas tratassem todo o tráfego da web da mesma maneira.
"Quando você coloca batom em um porco, ele ainda é um porco", falou a porta-voz da AT&T Claudia Jones. "A proposta do Centro é um esforço transparente para colocar batom em uma série de propostas para regular a internet. Esta sugestão, porém, resulta em consumidores pagando todos os custos da construção de uma internet melhor, enquanto os Golias da web, como o Google, recebem sanções corporativas do governo para que não paguem suas partes".
http://idgnow.uol.com.br/internet/20...DGNoticia_view
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