Juha Ollila, diretor de território da F-Secure, não quer ser considerado um cavaleiro do apocalipse quando o assunto é vírus por celular. Cauteloso, ele diz, nesta entrevista exclusiva, que ainda não há motivo para pânico, mas, em contrapartida, apresenta dados que podem preocupar.
- Um país do Hemisfério Sul teve mais de 13 mil infecções em um ano.
- Operadoras do Hemisfério Sul têm registrado mais de 200 infecções por dia em suas redes. Mesma taxa das européias.
- À medida que cresce o mercado de smartphones, telefones que são mais computadores e menos os aparelhos tradicionais, a tendência é que aumenta a disseminação destes vírus.
“As ameaças estão avançando bem devagar, o que não deve motivar pânico entre usuários”, afirmou o executivo. Ficou calmo? Então veja essa outra frase: “A infecção de vírus por Bluetooth é como uma gripe: você acorda, vai pra rua, espirra e alguém é infectado”
Tire suas conclusões nesta entrevista:
O quanto ameaçador são os vírus para celulares atualmente? Todos deveriam ter medo de vírus para celulares?
No momento, a ameaça não é tão proeminente. Temos provas de que isto está acontecendo em vários lugares, mas se as pessoas estão conscientes, elas devem evitar o problema.
Os vírus, porém, estão evoluindo tanto que nós já temos a primeira praga para celulares que tem como foco ganhar dinheiro, detectado na Rússia, e a primeira praga que espiona usuários, que é a FlexySpy.
Existem novas formas de vírus móveis no momento e, de contatos com operadoras, sabemos que existem um grande tráfego de mensagens MMS infectadas em alguns países. Existem ameaças, mas se você sabe como evita-las, é possível evita-las.
Quais países são os maiores afetados por vírus de celulares?
Por contrato, não podemos revelar o nome dos países, pois se tornaria público as operadoras atingidas. Mas posso falar que, em um país da América do Sul, foram detectadas mais de 13 mil infecções em apenas um ano.
Em outro país do hemisfério sul, soubemos que cada uma das operadoras contabiliza cerca de 200 novas infecções de aparelhos por dia.
Em operadoras européias, a relação (entre ameaças em circulação em redes telefônicas) é muito parecida. Então obviamente existem infecções.
Nas negociações com operadoras, algumas ainda não reconhecem que seja um problema, pelo baixo número de reclamações de usuários. Todas com as quais conversamos, no entanto, já relataram problemas com os principais vírus do mercado.
Mas é um problema global, com evidências maiores em alguns países do que em outros.
Quais são as principais ameaças para celulares no momento?
O Cabir foi o primeiro vírus para celular e ainda pode ser considerado uma ameaça. Após a infecção, feita por Bluetooth, o Cabir tentava se enviar para aparelhos com a interface sem fio habilitada próximo a ele.
As conseqüências da infecção do Cabir não passavam desta possível infecção em massa sem qualquer dano direto para o usuário.
Atualmente, temos nossas atenções voltadas ao CommWarrior, o vírus para celular com mais variantes atualmente. A praga se equivale ao Cabir, por que é enviada para celulares com Bluetooth que estão próximos.
Sem que o usuário saiba que o telefone está infectado, o aparelho manda mensagens para todos os contatos. A maioria dos amigos aceita as mensagens. Este é o motivo que acelera a infecção do CommWarrior.
Existe alguma relação entre a penetração de celulares modernos no mercado e o número de vírus que circulam nas redes das operadoras de determinado país?
Acho que sim, já que depende da quantidade de celulares com sistemas Symbian ou Windows Mobile presentes no mercado.
Por outro lado, celulares com sistema Symbian estão se tornando cada vez mais baratos. E à medida que as operadoras percebem que podem faturar mais com o tráfego de dados, os aparelhos ficarão cada vez mais baratos e terão maior penetração no mercado.
Para explorar financeiramente novos serviços móveis, as operadoras deverão oferecer smartphones com novas funções, como navegador móvel ou Bluetooth. A maior oferta atingirá um número maior de usuários.
O que pode fazer a infecção mais disseminada?
Exatamente. Quanto mais (smartphones) você tem, pior. A infecção de vírus por Bluetooth é como uma gripe: você acorda, vai pra rua, espirra e alguém é infectado. É a mesma coisa.
As chances de códigos maliciosos se infestarem de uma cidade para outra e de um continente para outro são enormes também pelo sistema.
Atualmente, estamos vendo um aumento no número de vírus para celulares. Poderemos ter outras ameaças para telefones, como phishings e ransonwares?
Não sou futurista pra responder diretamente, mas já temos uma praga que usa MMS para roubar dinheiro do usuário. Ao invés de dar o prometido acesso wireless ao celular, ele envia mensagens MMS para um número especial, que ganha parte da renda da operadora.
Já tivemos encontros com grupos de segurança especializados em Bluetooth e pudemos ver o quanto fácil é quebrar ou mesmo hackear dados enviados pela interface sem fio, o que poderia motivar ameaças exclusivas de telefones celulares.
Temos ainda o FlexySpy, um aplicativo vendido online que consideramos uma ameaça, mas que precisa ser instalado pelo usuário para registrar números discados, mensagens enviadas e aplicações acessadas.
É uma nova espécie de praga para celulares que já está acontecendo, mas é impossível dizer o que mais podemos encontrar.
Essa nova onda de vírus para celulares indica um novo mercado contra armadilhas móveis?
Sim, sem dúvida. Ninguém cria vacinas por diversão se não existe oportunidades financeiras. Então existem pessoas que precisam de serviços que cuidem dos aparelhos.
Visitamos uma empresa que conserta telefones na Europa e, a cada dia, ela precisa reinstalar os sistemas operacionais para que o aparelho volte a funcionar normalmente. Isto implica em perder todos os dados do telefone.
Com esta necessidade, existe um mercado se formando para aplicativos como este.
Estamos vendendo bem nossos softwares de segurança para celulares. A F-Secure só não quer exagerar as ameaças, já que todas estão sob controle total no momento.
O engraçado é que em Kuala Lumpur, um dos membros do meu time afirmou ter visto técnicos que oferecem a desinfecção de celulares em barraquinhas no meio da rua com notebooks.
A vendedora de software CA acusou a F-Secure de forçar um hype sobre as ameaças para telefones celulares, já que, segundo a empresa, os alertas são muito mais impactantes que a realidade.
A F-Secure tem alguma previsão de quando a suposta infestação de telefones virará uma realidade?
Não, ninguém sabe. Os vírus para celulares já atingiram uma média de 30 países em todo o mundo, mas sem grandes infestações. As ameaças estão avançando bem devagar, o que não deve motivar pânico entre usuários.
Estamos nesta indústria há cinco anos e começamos a lidar com estes problemas antes de outras empresas, como a Symantec e a CA, e temos como obrigação avisar o mercado, já que existem usuários maliciosos que podem explorar estas falhas.
Mas não aprovo as acusações, já que eles não são tão fortes nesta indústria. O mercado de segurança móvel é mais desenvolvido na Europa, onde temos uma rede de contatos com grandes empresas de segurança e fabricantes de equipamentos.
Se eu fosse de uma empresa longe deste centro móvel (a CA é norte-americana), não acreditaria que as ameaças não existem. Temos evidências das ameaças e estes são fatos reais que recebemos. Não existe um hype.
http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2...-01.5374446847
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