O ministro britânico do Interior, John Reid, ordenou a extradição aos Estados Unidos do hacker Gary McKinnon, conhecido como "Solo", pelo maior ataque já cometido contra os computadores do Governo americano.
Embora um juiz britânico já houvesse autorizado, no último dia 10 de maio, a extradição de McKinnon, de 40 anos, a última palavra cabia ao ministro do Interior, que na terça-feira passada assinou a ordem de extradição, como confirmado hoje por um porta-voz desse Ministério.
Segundo a mesma fonte, McKinnon "terá agora a oportunidade, nos próximos quatorze dias, de apelar contra as decisões do juiz e do ministro do Interior" Após conhecer a ordem assinada por Reid, o pirata informático anunciou que recorrerá da decisão e declarou estar "muito preocupado e decepcionado com seu próprio Governo".
"Solo" supostamente acessou computadores da Administração Nacional para a Aeronáutica e o Espaço (Nasa), o Exército, a Marinha, o Departamento de Defesa e a Força Aérea dos Estados Unidos entre fevereiro de 2001 e março de 2002.
O Governo de Washington acusa o "hacker", detido em Londres em junho do ano passado, de ter cometido "o maior assalto tecnológico a um sistema militar de todos os tempos".
Segundo as autoridades americanas, "Solo" acessou ilegalmente 97 computadores do Governo americano. Os custos de rastreamento e correção dos problemas provocados por "Solo" estão avaliados em US$ 700 mil.
O acusado, residente no bairro de Wood Green (norte de Londres), pode pegar uma pena de mais de cinqüenta anos de prisão caso seja condenado nos EUA por sabotagem de seus sistemas de defesa.
Aparentemente, McKinnon apagou arquivos importantes e copiou um documento com nomes de usuários, em busca de informações secretas sobre a existência de Objetos Voadores Não Identificados (ovnis), tema pelo qual tem grande interesse.
Embora tenha admitido ter entrado na rede militar, McKinnon afirma que só o fez por acreditar que Washington ocultava informações sobre ovnis.
"Não foi apenas um interesse por homenzinhos verdes e pequenos pratos voadores. Acredito que existam, ou existiram, aparatos espaciais", chegou a dizer o acusado.
Depois de ter sua extradição autorizada judicialmente em maio, "Solo" lamentou ter penetrado nos computadores da Administração americana, mas expressou sua surpresa pela falta de segurança desse sistema.
"Minha intenção nunca foi prejudicar a segurança, mas o fato de que tenha conseguido entrar, e de que não houvesse contra-senhas demonstra que não havia segurança", afirmou então o hacker.
McKinnon disse temer ficar detido na base dos EUA em Guantánamo (Cuba), onde estão presos vários supostos terroristas da rede Al Qaeda sem garantias legais.
No passado, os Estados Unidos não costumavam pedir a extradição de hackers que atacassem redes americanas do exterior.
No entanto, Washington endureceu as leis contra crimes virtuais desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
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